Centelha

Eu não sei quando ela começou
Mas sei que agora ela está aqui
A dor que queima dentro de mim
Queima mais do que nunca

Como se acendessem uma centelha
Dentro do meu peito
Por fora aparentemente bem
Mas por dentro a sinto queimar lentamente

Como se decidisse que mesmo meu enorme esforço
Pra continuar na superfície desse mar que é a tristeza
Não fosse o suficiente

Bem pior que uma taquicardia
Como uma ferida aberta, que lateja
De dentro de meu corpo para fora do corpo
Me corroendo e desorientando
Até que eu me distraia
E ela passe,
por enquanto

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Inverno

Queria que, como no inverno
Houvesse algo bonito e poético
sobre essa dor

Que ela me encorajasse
e me tirasse do lugar
Mas ela aparece
e me desorienta

Como se eu andasse em círculos e círculos e círculos
e nunca mais parasse

Se isso que eu faço é uma valsa com a tristeza
Que me apresenta e me encobre com o medo

Como faço para parar os passos e voltar
a pisar no chão com os meus próprios pés

Chuva

A chuva cai sob o vidro
E eu a olho nos olhos
Como pode ser mais livre que eu, oh pequena gota de água
Como pode ser mais livre e mais leve e mais pronta pra este mundo
Como posso eu estar parada enquanto você corre, corre com pressa, porque tem compromisso com o mar
Chuva
Você está mais perto da chegada do que eu
Me ajude encontrar um caminho, mesmo que molhado, mesmo que lamacento
Uma saída do lugar onde estou agora
Parada, te observando